amor, compaixão, empatia, equanimidade, interdependência

Cuidar de todos

 

O nono passo leva-nos a alargar o nosso círculo de compaixão.

Como refere Karen Armstrong no livro Doze passos para uma vida solidária, o sistema tribal permitiu encontrar alguma segurança num mundo inóspito mas é fonte de guerras e perseguição quando conduz à crença na superioridade de um grupo em relação a outro. Num mundo em que as comunidades são independentes, a destruição de um inimigo poderia vantajosa para um grupo, mas num mundo interdependente, destruir os nossos vizinhos ou ignorar os seus interesses, tem repercussões para todos.

Tendo como referência Moji e o seu conceito de jiān’ài (amor universal ou “cuidar de todos”) Karen Armstrong incita à reflexão sobre a nossa relação com o estrangeiro, com o outro e até que ponto podemos “acolher todos os seres” e reconhecer os laços que nos unem…. pois não podemos existir separadamente.

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felicidade, gratidão, interdependência, meditação, prática

Passo 5 – Mindfulness

 

Algumas sugestões e lembretes para uma vida com consciência:

Vive com equilíbrio139871352-1

 
Não te esqueças de brincar

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Conhece o que te dá energia e o que te retira energia – sustenta os
primeiros e limita os últimos.

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Em algumas culturas indígenas quando alguém vai ao curandeiro com
sintomas de depressão, ele pergunta: quando paraste de dançar e cantar?

Não esqueças os básicos:

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Apaixona-te pela rotina!

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Aprecia… e deixa fluir…

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Dois slogans:
When in doubt, breath out / Na dúvida, expira
Take a break before you break / faz uma pausa antes de precisares

 

a table for

amor, compaixão, metta, prática

Parado no trânsito

No carro, parado no trânsito.

Parar, continuar, mais parar.

Não se avança.

Sentir-se frustrado, chateado, stressado.

O que é que está a acontecer?

Há um acidente? Trabalhos na rua?

Estou farto de estar parado, no carro.

Quem me dera já ter chegado. Mexam-se!

Faz uma pausa, respira.

Traz a tua atenção para a sensação do teu corpo, sentado, as mãos no volante.

Nota onde estás no espaço.

Nota agora os outros condutores, também parados no trânsito.

Todos a movermo-nos, a parar, a continuar.

Que excelente oportunidade de oferecer amor, bem querer.

Que tu estejas em segurança.

Que sejas feliz.

Que tenhas saúde, bem-estar.

Que sintas alegria, contentamento.

Que estejas em paz.

Que sejas feliz.

Tal como eu e tu procuramos a felicidade, todos os seres, em qualquer lugar procuram a felicidade.

Deseja a todos seres visíveis e invisíveis desejos de bem querer, amor e bondade, incondicionalmente. Que todos os seres estejam em paz.

Isto é #streetlovingkindness… com Sharon Salzberg, num engarrafamento.

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Fhoto de Dan Gold no Unsplash
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Hora de ponta

Hora de ponta, não é preciso correr

Abranda, para, olha.

Observa o que se passa

Olha para o mundo

Nota cada pessoa a apressar-se

Olha para eles

Segue o caminho deles enquanto se movem no espaço

Agora, realmente olha para eles

Cada um, um indivíduo único

Que excelente oportunidade de lhes oferecer amor e bem querer

Que tu estejas em segurança.

Que sejas feliz.

Que tenhas saúde, bem-estar.

Que sintas alegria, contentamento.

Que estejas em paz.

Que sejas feliz.

Tal como tu procuras a felicidade, todos os seres, em todo o lado, procuram ser felizes. Deseja a todos os que encontras, e àqueles que não chegas a ver, desejos de felicidade, de bem querer. Que todos os seres encontrem a paz.

Isto é #Streetlovingkindness. Com Sharon Salzberg.

 

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Soprar bolas de sabão

Ao soprar bolas de sabão, nota a tua inspiração

E depois a tua expiração conforma as bolas se vão formando

Observa as bolas conforme se vão formando e flutuam, afastando-se

Observa enquanto ficam a pairar e devagar caem

Imagina-te assim livre, a flutuar como uma bola de sabão

Flutuante, leve, iridiscente

O Buda disse-nos para contemplar a nossa existência neste mundo fugaz como uma pequena gota de orvalho, ou como uma bolha a flutuar numa corrente

Como um raio numa nuvem de Verão, ou uma chama vacilante, uma ilusão, um sonho

Observa as bolhas conforme vão caindo, e se dissolvem no ar

Com todos os seus riscos, esta vida não suporta nada mais do que as bolhas ao sabor do vento numa corrente

Que maravilha inspirar e expirar uma e outra vez, adormecer, e acordar fresco

Sim, que maravilha

… com Sharon Salzberg, a soprar bolas de sabão

 

 

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A Prática de bem querer – na rua

À espera na fila. Pode ser frustrante. Não se despacham, temos outras coisas para fazer. Não queremos chegar atrasados.

Pára. Respira. Saboreia o momento. Está presente, consciente. Sente os pés no chão. O ambiente à volta. Os sons. As pessoas. É uma oportunidade de reconhecer cada pessoa. Não é uma interrupção na nossa vida. É a vida a acontecer. Uma oportunidade de oferecer amor, bem querer.

Que tu estejas em segurança.
Que sejas feliz.

Que tenhas saúde, bem-estar.

Que sintas alegria, contentamento.

Que estejas em paz.

Que sejas feliz.

Da mesma forma que procuras a felicidade, todos os seres, em todo o lado, procuram ser felizes. Deseja a todos os que encontras, e àqueles que não chegas a ver, desejos de felicidade, de bem querer. Que todos os seres encontrem a paz.

Ainda à espera na fila… com Sharon Salzberg. Que tu sejas feliz.

 

 

Photo by Levi Jones on Unsplash
mudança, prática, vídeo

Pedra Filosofal

 

Eles não sabem que o sonho

é uma constante da vida

tão concreta e definida

como outra coisa qualquer,

como esta pedra cinzenta

em que me sento e descanso,

como este ribeiro manso

em serenos sobressaltos,

como estes pinheiros altos

que em verde e oiro se agitam,

como estas aves que gritam

em bebedeiras de azul.

 

eles não sabem que o sonho

é vinho, é espuma, é fermento,

bichinho álacre e sedento,

de focinho pontiagudo,

que fossa através de tudo

num perpétuo movimento.

 

Eles não sabem que o sonho

é tela, é cor, é pincel,

base, fuste, capitel,

arco em ogiva, vitral,

pináculo de catedral,

contraponto, sinfonia,

máscara grega, magia,

que é retorta de alquimista,

mapa do mundo distante,

rosa-dos-ventos, Infante,

caravela quinhentista,

que é cabo da Boa Esperança,

ouro, canela, marfim,

florete de espadachim,

bastidor, passo de dança,

Colombina e Arlequim,

passarola voadora,

pára-raios, locomotiva,

barco de proa festiva,

alto-forno, geradora,

cisão do átomo, radar,

ultra-som, televisão,

desembarque em foguetão

na superfície lunar.

 

Eles não sabem, nem sonham,

que o sonho comanda a vida,

que sempre que um homem sonha

o mundo pula e avança

como bola colorida

entre as mãos de uma criança.

 

In Movimento Perpétuo, 1956

 

compaixão, empatia

Interrupções

 

Gregory Boyle é um padre jesuíta que trabalha com gangues, nos pontos mais quentes e difíceis de Los Angeles. É autor de Tattoos on the Heart e Barking to the Choir. Em Tattoos on the Heart  ele conta como num domingo de manhã ele tinha acabado de dar missa e tinha logo a seguir um batizado, e uma mulher entra repentinamente no escritório para falar com ele. Ele só tem 5 minutos. Ela é membro de um gangue, toxidependente e ocasionalmente prostituta. Chama-se Carmen.

Ela senta-se e lança: “preciso de ajuda”. Diz que já esteve em 50 reabilitações, já sabe tudo, já viu de tudo. Sorri a olhar o escritório, a observar todas as fotos penduradas nas paredes. A família vai chegar para o batizado dali a minutos. O padre Greg conta:

“Andei na escola católica toda a minha vida, diz ela, até fiz a escola secundária, foi mesmo depois do 12º que comecei a usar heroína.” E entrando numa espécie de transe, o discurso torna-se mais lento. “E eu… tenho tentado parar…  desde o momento que comecei.” Ela inclina a cabeça para trás até encostar-se à parede e olha para o teto. Os olhos tornam-se como dois lagos, marejados de lágrimas a querer saltar borda fora. E depois, pela primeira vez, ela olha para mim. Endireita-se e diz “Eu… sou… uma… desgraça”.

De repente a vergonha dela vem ao encontro da minha, pois quando a Carmen entrou pela porta, confundi-a com uma interrupção.

 

girls' weekend guide to(3)